Ele fora surpreendido àquela manhã com uma ligação de alguém que há muito não ouvia a voz. Outrora foram companheiros de moradia, mas o destino fez com que se separasse, assim como o fizera com muitas outras coisas as quais tinha apreço... De algumas se separou de outras se perdeu.
Recebia cartas de um amigo o qual, poderia dizer com certeza se tratar de um AMIGO, mas não as respondia.
A saudade batia, aumentava a cada dia mais e mais...
Sentia-se perdido, e a vontade era correr aumentando, os dias se perpetuando, tudo se parecendo tão grande, mas ele se sentia tão pequeno, precisava rever os conceitos, ser menos extremista, menos orgulhoso, menos dramático, menos pessimista, menos tudo, mas este estado de diminuição das coisas também o assustava, já que para ele, ele próprio já se tornara menos.
Sentia falta de alguém que pressentia nunca mais possuiria, mas tudo bem, se contentara em não tê-la.
Não que se sentisse feliz com esta certeza, mas pra quem não tinha mais vontade para nada, menos uma coisa, seria mero acaso.
Morrer não lhe era conveniente, pois a vida também não lhe dera a certeza de uma melhor existência posterior.
Ele não caminhava, ele se arrastava, e arrastar não era e nunca fora, um princípio vital humano.
Viver, viver e viver.. era o que rugia em sua alma, era o que implorava seu coração!
Queira sorrir, mas as pegadas de seu passado não se apagavam, e em sua cabeça doentia o medo de errar, o medo de desistir, o medo de não ter, e a saudade, a saudade do cheiro dos cabelos, das ruas percorridas, dos gestos feitos, de todas as palavras ditas, de tudo e todos. Para ele era o fim, a cada dia sentia se aproximar o final, fitando-o os olhos com mais vida do que ontem!
Lágrimas! Lágrimas eram gotas de chuva que transpareciam a tristeza do seu coração!
Nunca fora tão triste, nunca suas atitudes pesaram tanto em sua alma, nunca tivera tantos medos, nunca fingira tanto que era feliz, nunca mentira para si mesmo, nunca quisera, tanto quanto hoje, saber quem ele era, perdera sua face.
Ouvia a canção que para ele não se tornaria realidade: ”um telefonema bastaria, passaria a limpo a vida inteira...”. Mas pra que um telefone? As pessoas têm que ser felizes, e se ninguém, além de si, era culpado por aquilo que ele se tornara, por que tirar-lhes o direito do sorriso, do vento na face, dos cabelos esvoaçantes, do olhar perdido em meio a penumbra da noite, ao observar a lagoa? Não era justo!
A vontade de atirar contra a própria cabeça era imensa, mas tinha medo da dor, medo do cano frio tocando-lhe a tempora. Não gostava de imaginar a necropsia, as pessoas ao redor do caixão, odiava aquelas imagens de morte em sua cabeça..
Tivera uma idéia: Iria desaparecer! Assim poderia morrer sem que ninguém o velasse, ou chorasse sua partida, pois estariam esperando seu regresso, um retorno que jamais aconteceria. Sem dor alheia, sem choros, sem culpados, sem vítimas... fora assim que escolhera partir, em meio a um campo esverdeado, de uma zona rural distante, em um país desconhecido, onde somente ele e a lua foram testemunha de sua desgraça! Em seu coração, ninguém sabe se brotara uma flor de alegria ou uma lágrima de tristeza, pois ele jamais regressara para contar o que havia depois da morte, e nem sequer souberam que ele havia morrido, para chorarem sua partida.
"às vezes não só a morte é responsável por nossa partida.. às vezes estamos ali, mas ja partimos faz tempo"
"Quando descobri Que é sempre só você Que me entende Do início ao fim.
E é só você que tem A cura do meu vício De insistir nessa saudade Que eu sinto De tudo que eu ainda não vi."
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