sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Noite Liquefeita


Abrindo e fechando algumas páginas na net, após fazer minha inscrição para o concurso de Oficial da Polícia Militar, me deparei com uma página, a qual como almofadas em meio a uma sala perfumada, aconchegava uma carta psicografada!
Interessei-me pelo assunto, uma vez que não ando nada bem, e por mais que tente ser forte, me deparo com momentos de muitas trevas, muitas dores em meu coração e em minha alma.
Choro por horas a fio, penso e repenso em tudo que aconteceu e está acontecendo em minha vida, e nestes instantes me volto a Deus, não com o intuito de reclamar, mas é impossível, ante meu clamor e seu silêncio, não chegar a perder a fé. Peço perdão a ti meu Deus, por não compreendê-lo em certos momentos e até mesmo, excomungá-lo em atos rebeldes, mas às vezes um simples toque de ti pai, alegraria tanto meu coração, afogado em mágoas, tristezas e desesperança. Tudo que quero em minha vida é ter aquela felicidade que brilhava em meus olhos antes de entrar nesta polícia, aquela criança que se encantava com uma borboleta, com o balançar das flores amarelas do bosque, aquele menino que mesmo sem ter aquilo que mais amava, era feliz, por ser ele e saber o valor que tinha; Que rezava todas as noites pedindo proteção à pessoa amada, que não a pedia de volta, mas que se a trouxesse ficaria muito feliz, e se não, estaria da mesma forma feliz. Pai minha cabeça mais parece um emaranhado de tristezas, querendo ser decapitada...
Tem momentos, que fecho os olhos e a única imagem que me vem à cabeça, é de meu sangue pingando no chão, o cheiro ocre vindo da poça originado de meus pulsos cortados, me enche as narinas. Nestes momentos imagino se seria essa a saída, para a libertação, ou se seria um castigo eterno, e me enraiveço contigo meu Deus, pois até para morrer, minha consciência teme que a libertação carnal, seja sucedida de um castigo divino, não entendo como poderia o senhor me castigar pela morte, quando a ti clamo pela vida... Em meus ouvidos só ouço o vento! Como poderá me castigar, sendo que quando apenas lhe peço um aconchego quando vou dormir, e só sinto a cama vazia. Quando tenho alguém ao meu lado, por mais que tente me sentir completo, me sinto uma metade que perdeu por conta própria, seu complemento. Pai! Eu não escrevo mais sobre ela, eu apenas sinto, e repudio o que sinto. Deus há silêncio dentro de mim, e repudiar meu coração, somente me trás uma tristeza e um ódio imenso, tanto para contigo quanto para com todos os seres humanos. Pai, qual é a verdade? Qual é o caminho? Eu lhe pergunto todos os dias, e nada de respostas, até o direito de projetar-me lucidamente, me parece ter sido tirado. Sei que não estou em equilíbrio para que este processo aconteça, mas pai, era a única coisa que me dava certeza da existência de algo após esta vida. Senhor! Tornei-me exatamente aquilo que temia, tornei-me alguém, que somente cumpre seu tempo aqui na terra, rezando para que os anos passem logo, e possa morrer sem ser castigado por ti. Uma pessoa que não tem lugar neste mundo, pois não encontra distinção do que é bom ou ruim, que não sabe onde é bom para estar, por que falta alguma coisa, aquela coisa que me fazia forte, e não sabe exatamente o que era. Sei que preciso ser forte, com ou sem esta coisa, por que eu não posso entregar minha vida nas mãos de algo que não a queira.
Amém


- este txto foi escrito há um bom tempo, só agora posto -


“Só sente saudade quem teve na vida momentos de felicidades! PRESENÇA É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos... É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado, as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo... Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela e respirar-te, azul e luminosa, no ar. É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida... Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato... E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te. se um dia uma brisa leve e suave tocar seu rosto, não tenha medo, é apenas minha saudade que te beija em silêncio...”Tatiana - Psicografia

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