Na madrugada escura e fria daquela pequena cidade, um beijo profundo e lento, buscava minha alma, como quem tem sede de sonhar! Com olhos abertos, apenas observava com certo distanciamento, o rosto lindo e perfeito daquela menina mulher que ali me acompanhava. Sim, menina mulher! Olhar de menina e espírito de mulher; mulher batalhadora, guerreira, linda e sonhadora... Sem perder, é claro, o toque sensível, e o sorriso encantador, de uma menina.
Trabalhava em dois empregos: um de segunda a sábado e outro de sexta a domingo. Certa vez ao indagá-la do por que de tanto sacrifício na mais tenra idade, ela me deu uma sensata e coerente resposta, digna de minha admiração para toda vida: “para eu conseguir o que quero, preciso trabalhar, não sou como pessoas mesquinhas que tem tudo o que querem e como querem nas mãos, mas também se assim o fosse, jamais me esqueceria de como eu poderia ter sido, não deixaria de ver a limitação que cada um tem na vida, e a incapacidade de trabalhar em um sonho no momento em que gostaria, para vê-lo real”.
Aqueles olhos esverdeados, antes fechados, se abriram e, lenta e carinhosamente, foi descolando seus lábios dos meus, me envolvendo em um abraço apertado, confortador e terno.
Naquele instante senti suas mãos apertando minhas costas e seu rosto vagarosamente aconchegando-se em meu peito, seu olhar se perdera, como que em busca de alguma resposta para algo que se passava em seu íntimo.
Acariciei seus cabelos, sentindo o leve perfume que exalavam, e a perguntei:
- O que foi, me parece um pouco perdida?
Ela fez menção de afastar minha impressão, dando-me uma desculpa qualquer, e eu, como bom expectador da alma humana, não aceitei sua esquiva.
- Até parece que me engana, não tente me dizer que não é nada, sua boca pode até mentir, mas sua energia e seus olhos, jamais!
Lentamente, a sentir esfregar o rosto em meu peito, como se auto-acariciasse...
Sua voz, baixa e calma, então revelou-me o que se passava:
- Sabe... Já tem um tempo que te conheço e, por algum motivo, sinto que tem carinho comigo, mas que não devota a mim tudo que eu sei que você pode dar a uma mulher! Você me parece de gelo, e às vezes, eu consigo liquefazê-lo, mas não consigo libertar o anjo que tem aí dentro, que ainda assim continua em sua prisão! Que fique claro que não estou lhe cobrando nada, por que sinceramente, por menos que me dê, é provido de tanta sinceridade que não imaginava que pessoas como você ainda existissem nesse mundo! Me sinto tão maravilhosa, quando você me espera após o trabalho, levando uma rosa nas mãos, mesmo sabendo que em seu rosto, o sorriso seja de momento, por que sinto que em seu peito, seu coração não se alegra mais de uma maneira profunda e entregue!
Me impressionei com aquela menina mulher naquele momento, talvez não fosse a mulher que falasse naquele instante, e sim sua sensibilidade de menina. Sem palavras para dar explicações a ela, não por não ser detentor de tais esclarecimentos, mas sim por que ela não merecia ver em que meu coração se transformara, se é que ainda existia ali um resquício de batimento cardíaco e, nem muito menos,eu queria lembrar do que havia me transformado em tal aberração!
Mas de certa forma, ela aos poucos ia devolvendo minha alma, me fazendo admirá-la, restaurando-me a capacidade ser como uma criança, que volta para casa dançando e sorrindo sem motivo.Naquele instante, acho, que eu era como uma bebê, que estava reaprendendo a caminhar, e o carinho que eu sentia ao olhar nos olhos daquela menina mulher simplesmente me enchia de alegria, felicidade e gratidão por estar vivo.
A mim que foi concebido o dom, ou desgraça, da descrença em tudo que não pudesse ser explicado por nossa ciência cartesiana, pela física maciça e rígida, começava a refletir sobre, quem sabe, algo maior do que os cálculos, do que a ciência e, me arrisquei a imaginar os planos de Deus em nossa vida, sua forma de agir, mudando nossos caminhos, não sem dor é claro, para locais os quais nunca sonhávamos, nos fazendo conhecer, talvez, a pessoa a qual estávamos predestinados.
Trabalhava em dois empregos: um de segunda a sábado e outro de sexta a domingo. Certa vez ao indagá-la do por que de tanto sacrifício na mais tenra idade, ela me deu uma sensata e coerente resposta, digna de minha admiração para toda vida: “para eu conseguir o que quero, preciso trabalhar, não sou como pessoas mesquinhas que tem tudo o que querem e como querem nas mãos, mas também se assim o fosse, jamais me esqueceria de como eu poderia ter sido, não deixaria de ver a limitação que cada um tem na vida, e a incapacidade de trabalhar em um sonho no momento em que gostaria, para vê-lo real”.
Aqueles olhos esverdeados, antes fechados, se abriram e, lenta e carinhosamente, foi descolando seus lábios dos meus, me envolvendo em um abraço apertado, confortador e terno.
Naquele instante senti suas mãos apertando minhas costas e seu rosto vagarosamente aconchegando-se em meu peito, seu olhar se perdera, como que em busca de alguma resposta para algo que se passava em seu íntimo.
Acariciei seus cabelos, sentindo o leve perfume que exalavam, e a perguntei:
- O que foi, me parece um pouco perdida?
Ela fez menção de afastar minha impressão, dando-me uma desculpa qualquer, e eu, como bom expectador da alma humana, não aceitei sua esquiva.
- Até parece que me engana, não tente me dizer que não é nada, sua boca pode até mentir, mas sua energia e seus olhos, jamais!
Lentamente, a sentir esfregar o rosto em meu peito, como se auto-acariciasse...
Sua voz, baixa e calma, então revelou-me o que se passava:
- Sabe... Já tem um tempo que te conheço e, por algum motivo, sinto que tem carinho comigo, mas que não devota a mim tudo que eu sei que você pode dar a uma mulher! Você me parece de gelo, e às vezes, eu consigo liquefazê-lo, mas não consigo libertar o anjo que tem aí dentro, que ainda assim continua em sua prisão! Que fique claro que não estou lhe cobrando nada, por que sinceramente, por menos que me dê, é provido de tanta sinceridade que não imaginava que pessoas como você ainda existissem nesse mundo! Me sinto tão maravilhosa, quando você me espera após o trabalho, levando uma rosa nas mãos, mesmo sabendo que em seu rosto, o sorriso seja de momento, por que sinto que em seu peito, seu coração não se alegra mais de uma maneira profunda e entregue!
Me impressionei com aquela menina mulher naquele momento, talvez não fosse a mulher que falasse naquele instante, e sim sua sensibilidade de menina. Sem palavras para dar explicações a ela, não por não ser detentor de tais esclarecimentos, mas sim por que ela não merecia ver em que meu coração se transformara, se é que ainda existia ali um resquício de batimento cardíaco e, nem muito menos,eu queria lembrar do que havia me transformado em tal aberração!
Mas de certa forma, ela aos poucos ia devolvendo minha alma, me fazendo admirá-la, restaurando-me a capacidade ser como uma criança, que volta para casa dançando e sorrindo sem motivo.Naquele instante, acho, que eu era como uma bebê, que estava reaprendendo a caminhar, e o carinho que eu sentia ao olhar nos olhos daquela menina mulher simplesmente me enchia de alegria, felicidade e gratidão por estar vivo.
A mim que foi concebido o dom, ou desgraça, da descrença em tudo que não pudesse ser explicado por nossa ciência cartesiana, pela física maciça e rígida, começava a refletir sobre, quem sabe, algo maior do que os cálculos, do que a ciência e, me arrisquei a imaginar os planos de Deus em nossa vida, sua forma de agir, mudando nossos caminhos, não sem dor é claro, para locais os quais nunca sonhávamos, nos fazendo conhecer, talvez, a pessoa a qual estávamos predestinados.
- Dedicado a Bruna Mendes -
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